Portas fechadas para o Dalai Lama
Ana Sofia Covas
Ana Gomes, euro-deputada socialista, não compreende os argumentos do ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, para justificar a recusa do Governo em receber o Dalai Lama, que chega amanhã a território nacional. O PR também não vai receber oficialmente o líder tibetano, contrariamente à Assembleia da República.
“O ministro [está] a ser consequente com o que tem sido a diplomacia leve-leve em que se vai especializando Portugal: nada de incomodar mandarins com conversas parvas sobre direitos humanos; importa é adulá-los”, escreveu Ana Gomes no blogue Causa Nossa. Neste texto, a euro-deputada socialista acusa Amado de “exercitar a política de nunca correr o risco de desagradar a ricos e poderosos (…), seja a propósito do Iraque, de Guantanamo, da Rússia ou de África”, e refere ainda que o dirigente tibetano, que foi Prémio Nobel da Paz em 1989, tem sido “uma figura cada dia mais bem recebida em Washington, onde acaba de receber a Medalha de Ouro do Congresso”.
Esta posição manifestada por Ana Gomes surgiu na sequência das declarações de Luís Amado, que afirmou no passado Sábado que, “oficialmente, o Dalai Lama não é recebido por responsáveis do Governo português, como é óbvio”. Como justificação, disse apenas que isto se verifica “pelas razões que são conhecidas”.
Por seu lado, o Presidente da República também não irá receber oficialmente o Dalai Lama, não estando no entanto excluída a hipótese de um encontro informal.
Quanto à Assembleia da República (AR), prevê-se que na quinta-feira o presidente da AR receba oficialmente o Dalai Lama, que deverá também ser recebido, no mesmo dia, pela Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros. O presidente desta comissão, José Luís Arnaut, já referiu que irá receber o Dalai Lama “enquanto líder de uma comunidade já representada em Portugal por milhares e milhares de pessoas”.
Com DN, JN, TSF, Diário Digital
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