Alqueva: turismo pode criar mais de 3500 empregos
Susana Paula

O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou que os complexos turísticos projectados para o distrito de Évora, sobretudo para o Alqueva, são da «maior importância», devido ao peso nacional do sector para o emprego, exportações e investimento.
José Sócrates falava no final de uma sessão, hoje realizada na vila medieval de Monsaraz, onde foram apresentados 11 novos projectos turísticos de «excelência» para o distrito de Évora, num investimento de quase dois mil milhões de euros e que prevêem a criação de 3.754 postos de trabalho.
O primeiro-ministro lembrou que a região possui apenas, actualmente, um hotel de cinco estrelas.
Depois de concretizados os projectos hoje apresentados e sem contar com os resorts previstos para o litoral alentejano, vão surgir no distrito de Évora dez novos hotéis de cinco estrelas. O Chefe do Governo enumerou ainda outros investimentos públicos em curso ou projectados para o Alentejo, como a ligação ferroviária de alta velocidade entre Lisboa e Madrid, atravessando o Alentejo, o aeroporto de Beja e complexo industrial e portuário de Sines.
Os onze novos projectos turísticos previstos para o distrito de Évora, sobretudo para Alqueva, representam um investimento total de 1,8 mil milhões de euros.
Quatro dos complexos estão projectados para Évora, dois para Reguengos de Monsaraz e outros dois para Mourão, estando os restantes previstos para Alandroal, Redondo e Montemor-o-Novo.
A apresentação dos projectos foi incluída na iniciativa «Governo Presente» que começou sexta-feira e termina hoje com passagens por quatro concelhos da região de Évora, três socialistas (Évora, Reguengos de Monsaraz e Borba) e um comunista (Arraiolos).
Reguengos de Monsaraz é um dos concelhos em destaque na aposta dos investidores no turismo associado ao «Grande Lago» e no Alentejo Central, concentrando dois dos empreendimentos de «excelência».
Só o Parque Alqueva prevê metade do investimento global dos 11 empreendimentos que foram apresentados, ou seja, mil milhões de euros, com uma implementação faseada ao longo das próximas duas décadas e a criação de dois mil postos de trabalho.
Classificado como de Potencial Interesse Nacional (PIN), o projecto é da Sociedade Alentejana de Investimentos e Participações (SAIP), liderada pelo empresário José Roquette, e o Plano de Pormenor já foi publicado em Diário da República.
Aldeamentos turísticos, hotéis, agricultura biológica, campos de golfe e de férias, centros equestres, de conferências e de desportos náuticos e unidades de saúde são algumas das valências previstas.
Outro dos projectos das zonas de Reguengos de Monsaraz e de Alqueva é o da Herdade do Barrocal, também classificado como PIN e com um investimento previsto de 90 milhões de euros, tendo o respectivo Plano de Pormenor sido igualmente aprovado.
O investimento, resultante de uma parceria entre a família de Maria do Carmo Martins Pereira e o grupo Aquapura, constituído por António Mexia, Diogo Vaz Guedes e Miguel Simões de Almeida, prevê um hotel, unidades de alojamento e agricultura biológica.
«O Parque Alqueva aguarda a declaração de utilidade pública dos terrenos e, depois, seguem-se os processos de licenciamento, para o início das obras das infra-estruturas no segundo trimestre deste ano», disse hoje à agência Lusa o vice-presidente do município, José Gabriel Calixto.
Já o da Herdade do Barrocal, após publicação do Plano de Pormenor, revelou, entrará na fase de elaboração e posterior licenciamento pela autarquia dos planos de execução das infra-estruturas, para o arranque das obras também no «segundo trimestre».
No concelho vizinho, Mourão, deverão «nascer» outros dois projectos turísticos, um na Herdade das Ferrarias (75 milhões de euros), fruto de uma parceria da Guadiana Parque, SA e do Grupo Bernardino Gomes, e outro na Herdade do Mercador, a cargo do grupo Sousa Cunhal (120 milhões de euros).
O da Guadiana Parque, segundo um dos promotores, José Gil Duarte, conta arrancar as obras este ano (para funcionar em 2011) e compreende um hotel, zona desportiva, aldeamento turístico, «Medical SPA», com tratamentos alternativos, centro de investigação do meio ambiente e um campo de golfe, a partilhar com a Herdade do Mercador.
O segundo, cujas obras preliminares devem arrancar «ainda este ano», para o início da comercialização em 2009 (para funcionar em 2010), prevê a construção de um hotel, aldeamentos turísticos, centro náutico, SPA e centro «Welness», disse à José Cunhal Sendim, do grupo promotor.
O mesmo grupo conta arrancar este ano com as obras de outro empreendimento turístico na região, na Herdade das Valadas, concelho de Montemor-o-Novo, num investimento de 45 milhões de euros, com um aldeamento turístico de cinco estrelas (132 moradias), SPA, restaurante, heliporto, espaços verdes, pomares de citrinos, uma área de vinha com cerca de nove hectares e uma pequena adega.
O concelho capital de distrito, Évora, tem quatro projectos turísticos, um deles, o Évora Resort, de 250 milhões de euros, promovido pela Frontino, do empresário Jaime Antunes, na Herdade Sousa da Sé e que, com a publicação do novo Plano Director Municipal (PDM), vai poder avançar.
Com: Diário Digital, Lusa.
Imagem: Fotos SAPO
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