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O jornalismo na Eslovénia - Entrevista ao editor Jaka Terpinc  Enviar por email Imprimir

Susana Paula

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Tendo em conta a abertura das sociedades em termos políticos e económicos, foi criado o primeiro jornal independente de língua inglesa na Eslovénia. Este jornal tenta cobrir todos os aspectos da sociedade eslovena, desde política e negócios até cultura e desporto. O jornal tem uma periodicidade quinzenal e o seu principal público são diplomatas e, principalmente, estrangeiros que visitam o país por motivos relacionados com a gestão de negócios.

Numa altura em que na Eslovénia a pressão política é cada vez mais notória, O Amador foi conhecer a redação do Slovenia Times e entrevistou o seu editor, Jaka Terpnic.

O Amador: O alvo do Slovenia Times são estrangeiros da área dos negócios. Porque não é alargado também a estudantes e investigadores?

Jaka Terpnic: Isso não é completamente verdade; tentamos cobrir artigos sobre todas as áreas relevantes. O Slovenia Times é um jornal generalista, logo nós tentamos cobrir temas relacionados com estudantes e pesquisadores. No caso dos estudantes, atribuí-mo-lhes mais relevo aquando do ínicio do ano lectivo. No que diz respeito à pesquisa, não somos experts nessa área, o que significa que não estamos preparados para escrever sobre tal. Para além disso, não podemos suportar um suplemento para estudantes ou cientistas. Todavia, e como já disse, tentamos cobrir casos nessa área quando nos parecem relevantes.

OA: Porque é que o jornal é oferecido apenas no aeroporto de Ljubljana, nos seus mais caros hotéis e restaurantes?

JT: Acreditamos que, por sermos um jornal de lingual inglesa, esses são os melhores sítios para os oferecer. Também o poderíamos distribuir em pontos de venda de jornais internacionais, mas não temos orçamento para isso. O jornal também pode ser encontrado no centro de turismo. Tem a ver com o nosso público alvo: o jornal é distribuído onde turistas ou estrangeiros vão.

OA: Estão a ter sucesso?

JT: Sim, estamos a ter sucesso, mas estamos a tentar expandir e melhorar. Também estamos a tentar encontrar novos financiamentos na publicidade etc.

OA: Uma vez que publicidade financia o Slovenia Times, como é que concilia a necessidade de ganhar público (e receitas) com um jornalismo de qualidade?

JT: Tentamos dar o nosso melhor. O Slovenia Times é um jornal de referência e os nossos leitores estão bem informados acerca de media e da maneira como são financiados. Nós tentamos manter um nível elevado de qualidade nos conteúdos, o que pode impressionar os nossos investidores e criar um alto nível de confiança e, consequentemente, aumentar a publicidade no nosso jornal.

OA: Grega Repovz, presidente da Slovenian Journalism Association, afirmou que a pressão política aumentou. Qual é a sua opinião neste assunto?

JT: Eu concordo com ele. Claro que há pressão nos media eslovenos. Isso é mais evidente nos media principais como a RTV, a televisão pública, e o DELO, jornal diário. Mas existem vários casos de pressão política nos media eslovenos.

OA: O Slovenia Times já foi pressionado politicamente?

JT: Não.

OA: O que faria se isso acontecesse?

JT: Eu tentaria manter-me leal aos princípios do jornalismo, a sua deontologia e a sua ética. Tentaria não ser corrompido. No entanto, é dificil saber o que é que se faria não estando na situação.

OA: Na sua opinião, o que é que os media eslovenos deveriam fazer para evitar pressão?

JT: Penso que deveria haver solidariedade enter os diferentes media e jornalistas. Nos anos 80, por exemplo, durante o antigo regime socialista, a censura era permitida constitucionalmente e os jornalistas eslovenos uniram-se contra isso e lutaram por liberdade de expressão e de imprensa. Se este tipo de solidariedade fosse praticado, a pressão política exercida nos media poderia acabar. Hoje em dia, se alguem não é corrompido perde o seu emprego e quem o é acaba promovido. É difícil encontrar trabalho como jornalista na Eslovenia e ninguém quer ser despedido. Todos querem escrever.

OA: Uma vez que são um jornal independente, como é que escolhem a abordagem dos temas?

JT: O nosso jornal é publicado de quinze em quize dias às Quintas. Por isso, temos tempo para verificar a informação, completando-a com reacções, resultados e opiniões

OA: Então, são influenciados por outros media.

JT: Sim, mas isso é normal. As nossas fontes são outros media. Todos o fazem. Se há uma conferência de imprensa importante, é normal que um dos nossos jornalistas não o cubra (por sermos uma equipa pequena). Aí a nossa fonte é a agência de notícias.

OA: Mas fazem exclusivos?

JT: Sim, os nossos exclusivos são na sua maioria uma transmissão da Eslovénia a estrangeiros, porque essa é a nossa missão como um jornal de língua inglesa.

OA: Dado que a Eslovénia é um país pequeno, torna-se difícil encontrar notícias?

JT: Não é o tamanho do país que faz a notícia, mas a relevância do acontecimento. Numa aldeia, um novo semáforo vai ser primeira página devido à relevância que tem para a comunidade. Na Eslovénia há imensos eventos relevantes e estou muito contente e impressionado com isso.

OA: O que é que faz quando a hora de fecho de edição se aproxima e faltam artigos?

JP: Gritamos uns com os outros (risos). Quando isso acontece tentamos apressar-nos. É normal que nos atrasemos, os jornalistas são seres humanos. Quando um problema maior acontece publicamos uma imagem maior, procuramos uma notícia relevante na STA (agência de notícias eslovena) ou recorremos ao nosso “stock” de artigos já produzidos. É stressante, mas tem a ver com as funções do editor.

OA: O que é que faz quando os artigos não estão bons? Refiro-me a más imagens, baixa qualidade dos artigos, desrespeito pela linha editorial…

JT: Tentamos fazer o nosso melhor.

OA: Mas quando isso acontece, o que é que faz?

JT: Eu corrijo os artigos, completo-os, mudo imagens.. também tem a ver com as minhas funções.

Mais informação em: www.sloveniatimes.com


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