Com Asas nos pés: perfil de Naide Gomes
Joana Fernandes

Em pequena, enquanto sonhava em ser modelo ou hospedeira, não adivinhava que aos 12 anos chegaria “o bichinho da corrida”, a fazê-la sentir que seria esse o seu caminho, começado numa brincadeira de correrias que acabaria por passar muitas vezes pelo pódio.
Naide diz que a lembrança da primeira competição está longe, “já lá vão muitos anos” e que tudo começou por brincadeira, “para estar com os amigos”.
A força que a trouxe à alta competição é a que tem forma de perfeccionismo: “queria e quero ser a melhor naquilo que faço.” O caminho não foi fácil, as batalhas foram muitas mas a paixão foi imediata: um ano depois de ingressar no atletismo abraçou-o para a vida; fez dele a sua vida.
A sua carreira não foi marcada pela admiração a nenhum nome em particular, antes pelos nomes de todos aqueles que lutam, a cada dia, pelos seus objectivos.
O sonho de ganhar um dia uma medalha olímpica e de ir mais longe, melhorando sempre as suas marcas pessoais, dá-lhe alento e preenche-lhe os pensamentos enquanto corre.

Porque a versatilidade não inviabiliza a preferência, Naide destaca “o salto em comprimento, o único que faz neste momento, e o salto em altura” enquanto modalidades favoritas.
Subir ao pódio? “Sabe a chocolate” (risos) mas não se explica. Sente-se apenas que a luta valeu a pena: todos os anos de treino, de esforço e de abdicação de um sem número de coisas: família, amigos, namorado, estudos…
Os seus dias são passados entre os treinos, as sessões de fisioterapia e de massagem e a faculdade. No tempo que lhe sobra, depois de treinar, e nos intervalos do descanso, estuda, namora, lê, dança e está com a família.
Em relação ao futuro, ver-se-á: mesmo na corrida, um passo de cada vez.
Naide Gomes em entrevista ao ACIME
Naide Gomes, a melhor da Europa
Perfil da autora publicado também no número 10 da Revista P’Almada.
Fotografias: Anabela Luís (Câmara Municipal de Almada).
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