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A Igualdade da Diferença  Enviar por email Imprimir

Márcia Costa

Tudo aquilo que é diferente causa estranheza, medo…restringe a nossa capacidade de interagir com o que nos é dissemelhante. A formação dos cidadãos é pautada por estereótipos e por padrões de normalidade, nos quais nem todos os indivíduos se inserem. A maioria sobrepõe-se sobre os grupos minoritários, que lutam por mais oportunidades e por uma igualdade de direitos. Defendem que diferente não deve ser encarado como anormal e que os diferentes tipos de discriminação (racial, sexual, cultural, socio-económico, etc. ) devem cessar, já que a humanidade deve estar à frente de qualquer outro atributo de que um cidadão possua . Num dos workshops realizados na “Festa da Diversidade e da Igualdade de Oportunidades”, Pascal, a mentora de um projecto inovador para crianças com deficiências mentais, referiu que “o normal é ser diferente”.

O Terreiro do Paço foi o palco da 7ª edição da “Festa da Diversidade e da Igualdade de Oportunidades”, que decorreu entre os dias 13, 14 e 15 de Julho. Esta iniciativa foi fruto de uma acção conjunta entre a Câmara Municipal de Lisboa, o plano nacional de acção da AEIOT (ano europeu da igualdade de oportunidades para todos) e várias Organizações Não Governamentais (ONG’s). O evento, que já se repetiu por sete vezes, pretende dar voz àqueles que se sentem mais oprimidos pela sociedade e injustiçados nos seus direitos de cidadãos.

Este ano, os visitantes desta feira de intercâmbio sócio-cultural, tiveram a oportunidade de presenciar variados concertos musicais, com destaque para os Terrakota, que fecharam a festa no domingo. Para acompanhar a música nada melhor do que a dança, uma autêntica exposição viva das raízes culturais que ali estavam presentes - africanas, brasileiras, árabes, ciganas e mesmo portuguesas. Os assuntos presentes nos debates e workshops variaram – imigração, papel da mulher na sociedade, questões ambientais, acesso à saúde, não-violência, entre outros. Para dar expressão às temáticas presentes na festa, não faltou a dramatização ao cargo de diferente companhias teatrais e outros espectáculos que animaram a baixa lisboeta – aulas de hip-hop e samba, exposições artesanais e também demonstrações de gaitas de foles, andas e monociclos. Para repor as energias nada melhor que a tenda gastronómica, onde quem ali passava tinha a oportunidade de viajar pelos sabores dos PALOP, do Brasil ou até mesmo de Cuba.

As associações que integraram a festa estavam distribuídas por várias fileiras ao longo do Terreiro do Paço, onde distribuíam folhetos informativos, davam a conhecer o seu papel na sociedade portuguesa e expunham trabalhos dos seus associados aos transeuntes galanteados com a vista sobre o Tejo. Todavia, além da parte mais burocrática que estas ONG’s apresentavam, dentro de cada tenda havia uma história para contar, um caso de vida, um exemplo da sociedade desigualitária em que vivem a “Jena” , a Manuela, a Ana Paula, a Teresa e a Fernanda.

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