Origami - a moda de dobrar papel
Eliana Silva

Um papel. Dois papelinhos. Três papelinhos. Um tecido. Dois retalhos. Três rosas. De um simples quadradinho de papel Isabel constrói uma flor. A mesma flor dobra-se uma vez e outra. De novo, Isabel pega num outro quadradinho e em dois minutos tem um sapo na sua mão. Um mundo pode ser construído através de um quadrado de papel.
Origami é a arte japonesa de dobrar o papel. A origem da palavra advém do japonês ori (dobrar) e kami (papel), que ao juntar as duas palavras a pronúncia fica “origami”. Geralmente parte-se de um pedaço de papel quadrado, cujas faces podem ser de cores diferentes, prosseguindo-se sem cortar o papel. No entanto, a cultura do Origami Japonês, que se desenvolve desde o Período Edo, não é tão restritiva acerca destas definições, por vezes cortando o papel durante a criação do modelo, ou começando com outras formas de papel que não a quadrada (rectangular, circular, etc.).

A partir de várias criações em papel, Isabel Tomás criou a marca “Amores de Tóquio”. A criadora escolheu o Origami como a ferramenta do seu trabalho. “Gosto muito da cultura japonesa e aos poucos fui apropriando toda a cultura do Origami e os conceitos que lhe estão inerentes”. A heterogeneidade das suas influências reflecte-se na diversidade do seu trabalho. Embora a cultura japonesa esteja sempre presente em todas as suas criações, Isabel Tomás não entende as suas criações como exclusivas.
“Eu gosto realmente da cultura oriental mas tento fazer uma junção daquilo que é japonês com o moderno ou o tradicional, como é o caso dos motivos florais que estão tão na moda neste momento. Gosto também do conceito de Natureza”

A marca surgiu oficialmente no ano de 2005 com a criação de um blog. “Era a maneira mais fácil, embora neste momento já tenha um site “encomendado”. Formada pelo CITEX, a jovem criadora tem a preocupação em dar cartas na Moda Portuguesa, ou melhor, ao cozer uma rosa de Origami numa pré-blusa, Isabel Tomás procura atingir um conceito mais experimental e mais conceptual da Moda.

Feiras da Ladra Alternativa. Mundo Mix. Feiras Laicas. Feira de Sonho. Desde poisos no Príncipe Real, no Jardim da Estrela ou no Mercado de Oeiras, a verdade é que a actividade artística de Isabel Tomás é completamente nómada. “A Moda Lisboa já foi um objectivo. Mas neste momento já não encaro o evento dessa forma. As pessoas já conhecem o meu trabalho. E já o reconhecem, o que ainda é melhor”. Isabel Tomás conta ainda que não entende que a moda se beba de um modo restrito, e é por isso que continua, não só a apostar na sua formação como também a fazer uma investigação exaustiva sobre as bases que pretende utilizar no seu trabalho. “Tenho muito livros sobre o Japão. Além disso, estou constantemente a comprar literatura oriental sobre gueixas por exemplo.”
No blog de Isabel Tomás podemos encontrar todo o seu trabalho: Desde os quimonos florais, as malas com flores em origami, passando pelas pregadeiras com as chinesas até às pequenas grandes criações em papel que Isabel utiliza na maior parte do seu trabalho.


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