Versatilidade Portátil
Eliana Silva
Era uma vez a Anabela. Anabela, a quinquelheira. A Anabela tem um sítio mágico. Lá, ela guarda tudo o que é menos expressivo aos sentidos dos outros. São tesouros, ou pelo menos é nisso que inúmeros retalhos amachucados, cores sem tonalidades, ganchos impares ou fitas desiguais se tornam.
A Anabela tem o seu trabalho sério como todos os seus amigos. Porém, sempre que chega a casa, vai até ao seu sítio segredo e, todos os dias, à mesma hora, conversa com os seus tesouros e modifica-os para que eles se tornem mais bonitos.
Um dos grandes amigos é o Dedal.
Quem é que não tem um dedal em casa? Eu tenho. A maior parte de todos nós também o tem. Mesmo aqueles que não costuram. A Anabela tem vários. O curioso é que estes são aqueles que as avós põem nos dedos quando se sentam ao sumir do sol, enquanto fazem as bainhas desorientadas de um neto pré-futebolista.
A Anabela transporta os dedais para um peito desenfeitado, juntando-lhe uns elegantes fios de cordel. Assim, aquilo que fazia somente parte do quotidiano das caixas de costura passa, simultaneamente, a fazer parte de qualquer caixinha de acessórios.

Uma amiga especial é a Fita.
A Fita tem uma personalidade multifacetada, segundo a Anabela, porque ela adapta-se a diferentes ambientes e consegue estar bem onde quer que apareça. A mesma fita de franzir cortinados transforma-se numa bonita pulseira.

O eterno crachá.
O crachá sempre se pavoneou sozinho nas blusas mais lisas mas agora, com a junção que a Anabela lhe fez, ele não larga o colar e juntos formam um colar que acaba por ser um 2 em 1. Ora sozinho, ora no largo.

Os modernos babetes
Esses são aqueles que parecem para os mais crescidos mas o seu destinatário são os bebés que pertencem ao sítio mágico da Anabela. Ela procura, lá nos subúrbios da sua imaginação, maneiras de transmitir o mesmo sentimentos através de linguagens diferentes.

Estes são apenas alguns amigos da Anabela, a quinquelheira. O que ela acaba por fazer é pegar nos objectos diários, aqueles que todos os dias manuseamos sem dar conta e dar-lhe uma outra função. Quando sai do seu sítio mágico, a Anabela espreita à porta dos outros por materiais que possam tornar-se seus amigos. Ela contou-me baixinho que gostava que cá existisse garage Sales como no estrangeiro.
Da mesma forma que a Anabela prefere os seus amigos diferentes, cada vez mais outras pessoas anseiam por acessórios e objectos personalizados onde a massificação dos produtos não esteja presente.
É como mais giro termos um sítio mágico, não é?
A Anabela construíu o dela. Ele é secreto e singular. É a menina “idiota” ou a mais criativa de todas perante o seu público. O seu primeiro público é constituido por amigos mais próximos ou por familiares. Todos aqueles que chegam depois até si, gostam da original forma, como ela pega em utensílios rotineiros e transforma-os em adereços mágicos. Tal como o seu mundo.
Artigos relacionados:


