Explosão da rave
Eliana Silva

Já não estamos em Londres. As festas, as cores, os ruídos manteem-se. As pessoas parecem sonâmbulas nas tardias raves, os tons das suas festes estão embriagados de tanta intensidade. A corrente que nasceu na década de 80 reaparece agora num neo-rave retomando as cores primárias – o amarelo, o cien e o magenta – e as cores secundárias – o verde relva, o cor-de-laranja e o roxo. Além destas cores “relembradas” chegam até nós nesta estação, toda uma panóplia de tons que deixam de sê-lo para serem cores únicas, precisas e intensas.

O fenómeno eclodiu devido aos britânicos Klaxons, Shitdisco e Simian Mobile Disco, aos germânicos Digitalismo, aos canadianos MSTRKRT, aos franceses Justice e Sebastian ou aos australianos The Presets e Van She, todos eles grupos de música que reivindicam o desfruto da música, sempre ao mais alto nível, misturando a atitude rock e as programações electrónicas. A nova maneira de estar alastrou-se à roupa e à maquilhagem e todos querem reviver os Smileys, os amarelos canários, os fluorescentes, vejam o estilista grego Bearsta. Não só as cores opacas mas também os tons metálicos e os materiais com brilho, como o verniz, o cabedal ou o cetim de seda.

O transe minimal, o progressivo ou qualquer sonoridade electrónica é vivida nas passerelles e transposta para o vestuário urbano. Quando o som acid-house, oriundo dos Estados Unidos, chegou à Europa, no final dos anos 80, deixou de ser mera música para se transformar na primeira forma de cultura massiva nascida nas pistas de dança. Escreve Vítor Belanciano na Vogue Portuguesa de Julho deste ano que “No Verão de 1988, o Verão a seguir à explosão do acid-house no Reino Unido, haveria de ficar conhecido como o Verão do Amor, numa alusão ao evento ocorrido em São Francisco vinte anos antes.” Depois do movimento punk, nasce a onda das raves em pseudo-casas no meio do mato decoradas com coloridos panos, onde o principal acaba por ser o desfrutar de um qualquer alucinógenio. Deixaram-se os protestos para trás e uma celebração excessiva chega até aos jovens do início dos anos 90.

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