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Mau-estar no mundo dos motores  Enviar por email Imprimir

João Carita e Miguel Paiva

Fernando Alonso

Na prova que decorreu na semana passada, o piloto Lewis Hamilton, da equipa Mclaren ao fazer uma travagem inesperada fez com que os pilotos que iam atrás de si, Vettel (Toro Rosso) e Mark Webber (Red-Bull Renault), colidissem.

Numa primeira instância, Vettel foi acusado de ter feito uma manobra despropositada. No entanto, os dois pilotos no final da prova viraram as suas críticas para Hamilton acusando-o de ser o responsável pelo acidente. Com base nas críticas dos dois pilotos, a Federação Internacional Automóvel abriu um inquérito com o intuito de apurar responsabilidades.

Após serem ouvidas as duas partes, o processo culminou com uma reprimenda ao jovem piloto da Mclaren, não lhe sendo atribuída qualquer penalização.

As relações azedam

Fernando Alonso, o actual campeão do mundo, já disse que no final da presente temporada irá abandonar a sua actual equipa devido à constante tensão e turbulência que se vive na McLaren com o seu companheiro de equipa, Lewis Hamilton, e o chefe da equipa britânica, Ron Dennis, e pretendentes não faltam, desde a Renault (onde estivera o ano passado), passando pela Toyota (que se diz ter já oferecido uma proposta de contrato com a duração de três anos com o salário de 70 milhões de dólares, estando inclusivamente disponível para pagar a cláusula de rescisão de Alonso) e pela Ferrari (onde iria substituir o brasileiro Filipe Massa).

Além disso, Fernando Alonso deu este sábado uma entrevista ao jornal «Marca», na qual critica severamente a sua equipa, a McLaren. O espanhol queixa-se do comportamento dos donos da escuderia inglesa. «Não tive o tratamento que merece um bicampeão do mundo ou sequer uma pessoa normal», queixa-se.

O piloto diz que «esperava muito mais da equipa, como todos» e diz que há informações reveladas a jornais ingleses e alemães de propósito para o prejudicar. Alonso não sente um tratamento igual e acrescenta: «Sentes que o teu chefe tem um carinho especial pelo teu rival e por isso não podes confiar muito no que ele vai fazer a seguir.»

O homem da McLaren vai mais longe nas críticas e lembra que «Coulthard, Montoya e Kimi [Raikkonen] saíram da equipa e foram felizes». E questiona: «Por que será?» Sobre o seu futuro, Fernando Alonso pouco sabe. «Parece que não têm muito interesse que continue, mas há outras dez equipas interessadas em mim.»

Na hora de atirar a toalha ao chão, o espanhol reconhece que «há que saber ganhar e perder» e que, por isso, «Hamilton merece o título mundial».

No entanto, apesar desse reconhecimento, deixa ainda algumas críticas à Federação Internacional do Automóvel pelo incidente de Hamilton com o safety car no Japão: «Esta é a Fórmula 1 actual. Nos últimos dois ou três anos nada melhorou. Os adeptos olham para isto como uma coisa de amigos. Parece que tanto profissionalismo, tecnologia… É mais uma Feira do Automóvel. Quando um vídeo no Youtube tem a repercussão de reabrir uma investigação ou que algo num fotocopiadora consiga excluir uma equipa de um Mundial de Construtores parece brincadeira para quem está do lado de foram, em suas casas, e vê a Fórmula 1 como algo incrível.»

O circo vai alargar-se?

Além deste inquérito, a Federação Internacional do Automóvel marcou para o próximo dia 24, em Londres, uma audiência para analisar a entrada da Prodrive na Fórmula 1. O organismo reage assim a uma queixa da William, que alega ilegalidade na participação da nova equipa no circo.

A Williams, apoiada pela Ferrari e pela Sauber, enviou uma carta à FIA pedindo a investigação da Prodrive, que entraria no Campeonato do Mundo do próximo ano com um motor desenvolvido pela… McLaren.

A decisão sobre mais esta polémica será conhecida no dia 25.

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