Bolonha - o que se diz e o que ainda não foi dito
Susana Paula
A mudança tornou-se inevitável quando, em 1999, Portugal e outros 28 países da Europa assinaram a declaração conjunta de Bolonha. No entanto, Bolonha apenas ganhou valor notícia quando a reformulação de mais de metade do Ensino Superior público foi proposta em 5 dias, até o passado 31 de Março. Nas inúmeras conferências e seminários para esclarecimentos, muito do que foi dito ficou por dizer.
O que tem sido dito:
“A declaração de Bolonha assenta em 3 princípios básicos: maior concorrência entre os sistemas de ensino europeus, maior mobilidade de estudantes e professores na Europa e mais capacidade de geração de novos empregos” - DiaD, Público 1.5.2006
“Bolonha é o ‘euro’ do sistema de Ensino Superior na Europa” - José Ferreira Machado, Director da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa (UNL)
“Há o risco de as faculdades mais oportunistas fazerem uma operação de cosmética e registarem os cursos” - João Sàágua, Director da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas UNL
“Bolonha responde a muitas das críticas que desde sempre o mundo empresarial fez às escolas portuguesas, colocando no centro da discussão a competitividade, a mobilidade e, sobretudo, a empregabilidade” - Jorge Marques, Presidente da Associação Portuguesa de Gestores e Técnicos de Recursos Humanos.
“Enquanto empregadores, estamos disponíveis para admitir no final do 1º ciclo” - Manuel Gonçalves, Director de Recursos Humanos da Deloitte
O que ainda não foi dito:
A diminuição da duração da licenciatura (para 3 anos) não garante a diminuição do trabalho dos estudantes. Pelo contrário: a compressão da licenciatura poderá aumentar o nível de trabalho dos estudantes, podendo vigorar, em algumas faculdades, o sistema de tutorias
Os estudantes portugueses, caracterizados (segundo alguns sociólogos) por uma participação autónoma diminuta, podem não estar preparados para um ritmo de trabalho mais acelerado. Esta participação pouco autónoma poderá diminuir a competitividade dos portugueses.
Muitas faculdades e, consequentemente, os seus alunos, não sabem ainda como decorrerá o processo de transição.
” (…) quem vão ser as instituições procuradas para o 2º ciclo? (…) ” - João Sàágua, Director da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, UNL
” Não sei até que ponto o nosso país está preparado para acolher tantos mestrados” - Ana Ramos, estudande da Faculdade de Economia, UNL
“Nesse caso ( a maioria dos alunos sair para o mercado de trabalho logo no primeiro ciclo) o nível de qualificação poderia baixar, o que iria contra a intenção original do acordo de Bolonha” - José Ferreira Machado, Director da Faculdade de Economia, UNL
A reformulação da Declaração de Bolonha para o ensino superior é ambiciosa para Portugal. Contudo, é necessário conhecer os prós e os contras desta implementação inevitável para poder melhorar a qualidade de ensino e promover o aumento da qualificação no mercado de trabalho.
Para isso, aguarde uma próxima edição.
Fontes: DiaD (Público 1/5/2006) e Visão.
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