Assassinato de Anna Politkovskaya representa atentado à liberdade de imprensa
Susana Paula

Anna Politkovskaya, jornalista russa conhecida pelas suas árduas críticas ao presidente da Federação Russa, Vladmir Putin, e ao primeiro ministro checheno, Razman Kadyrov, foi encontrada morta no passado Sábado, dia 7 de Outubro – curiosamente, no dia do aniversário do presidente Putin – no elevador da sua residência, no centro de Moscovo.
Câmaras de circuito fechado mostram um suspeito: um homem alto com um boné de baseball, que entrou no elevador do prédio da jornalista, imediatamente a seguir a ela, afirmam as autoridades competentes. Polotkovskaya foi baleada quatro vezes, três no corpo e uma na cabeça.
Este assassinato tem causado vária especulação e controvérsia, pela suposta ligação que existe entre ele e a postura contra o regime russo de Politkovskaya. Alguns media noticiaram a morte da jornalista russa como um crime político organizado, revelador da falta de liberdade de expressão e de imprensa que o governo russo tem demonstrado. Putin e Kadyrov são vistos como os responsáveis pelo crime.
No dia do assassinato, Politkovskaya tinha planeado publicar uma longa reportagem sobre torturas que acreditava serem praticadas pelas autoridades chechenas, focando-se no primeiro ministro Kadyrov, afirmou o editor de Novaya Gazeta, onde a jornalista trabalhava, Dmitry Muratov. No dia seguinte, a polícia confiscou o computador de Anna Politkovskaya arrebatando todo o material que ela tinha reunido sobre essa matéria – o artigo pode agora nunca ser publicado. Muratov acrescentou ainda que duas fotografias de dois dos alegados praticantes das torturas desapareceram.
O trabalho controverso e irreverente de Politkovskaya parece ser o principal motivo da sua morte. Vitaly Yaroshevsky, da Novaya Gazeta, afirmou: “Anna foi assassinada devido ao seu trabalho, não conseguimos ver nenhuma outra explicação para este monstruoso crime” . Mikhail Gorbachev, o antigo presidente soviético que promoveu transparência e democracia, afirmou à Interfax: “É um crime selvagem contra uma jornalista profissional, séria e corajosa. É um atentado a toda a imprensa independente e democrática. Foi um grave crime contra todos nós.”. Também a Amnistia Internacional e a Federação Internacional de Jornalismo pronunciaram a sua revolta e o seu desgosto. Não só pela morte de Anna Politkovskaya, mas também pelo atentado à liberdade de imprensa e de expressão que ela representa.
Depois de dois dias sem se pronunciar sobre a morte de Politkovskaya, Putin garantiu ao presidente George W. Bush que as autoridades russas competentes iriam investigar o assassinato de Politkovskaya. Foi o único comentário público que Putin deu acerca deste caso. “Putin foi eleito pela população russa, não pelo presidente Bush”, disse Oleg Panfilov, responsável por vigiar os direitos de imprensa.
No dia a seguir à sua morte, e impressionadas com a trágica morte da jornalista, centenas de pessoas juntaram-se no centro de Moscovo para a homenagear. Velas, flores e posters demonstraram como a sua presença era importante para os russos e como a sua morte representa a perda de mais um pouco de liberdade de imprensa.
“Don’t be silent”, diz uma mensagem escrita na máscara de um dos protestantes, que lhe tapava a boca. “O Kremlin assassinou a liberdade de expressão”, gritava um dos posters.
Fontes - BBC, Reuters, Wikipedia, Skynews, Sic noticias.
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