Jornalistas debateram “Porquê estudar o Jornalismo” no Porto
Susana Paula

Profissionais de jornalismo debateram o estudo na área, na passada Sexta-feira, nas II Jornadas Internacionais de Jornalismo, realizadas na Universidade Fernando Pessoa (UFP), Porto.
A jornada, intitulada “Porquê estudar o jornalismo”, teve como painel principal o estudo do jornalismo na visão dos profissionais da área. Os presentes tomaram como um dado adquirido a necessidade de formação nesta área, focando-se principalmente nos novos desafios da profissão e nas questões que eles colocam ao ensino do jornalismo.
Leite Pereira, director do Jornal de Notícias, sintetizou o seu discurso, transpareceu a ideia de que a maioria dos “alunos da área não sabem escrever” e incentivou a interacção entre professores e profissionais. “Os jornais servem os leitores ao mesmo tempo de que os cursos servem os alunos”, demonstrou o director ao abrir a sessão.
Seguidamente, Miguel Martins, editor multimédia do Expresso, focou-se nos novos desafios dos media. O também professor demonstrou que a Internet é hoje “o desafio mais alto do jornalismo”, uma vez que qualquer cidadão pode reportar acontecimentos. Miguel Martins demonstrou como o SOJO (jornalismo a solo) é aquilo de que o mercado de trabalho cada vez mais necessitará. “O que fará mais sentido é dizer que os jornalistas não são texto, não são som, não são imagem: São jornalistas à escala global”, explicou o editor do Expresso.
Ao falar de direitos de autor, Miguel Martins pretendeu contrapor a ideia de autores com direitos, usando um vídeo do YouTube, a fim de explicar como a liberdade ao acesso aos conteúdos deveria ser repensada. Contudo, ocorreu um problema informático, ao que o professor Jorge Pedro Sousa, organizador do evento, explicou: “o youtube está bloqueado no wireless da instituição”. Miguel Martins concluiu a sua apresentação, respondendo a Jorge Pedro Sousa: “isso é outra coisa a pensar”.
Também Júlio Magalhães, pivô da TVI, participou nesta conferência. O seu objectivo foi demonstrar aos alunos a realidade da profissão. “Devem estudar não com a ilusão de mudar o mundo, mas para não se deixarem dominar por ele”, aconselhou a cara da TVI. Júlio Magalhães explicou que “trabalhamos todos para as audiências” e que temos que “vestir a camisola do grupo, preocupando-nos mais com aquilo que as pessoas querem ver”. O pivô concluiu alertando: “preparem-se para o que vão encontrar”.
Quando questionado pel’O Amador* sobre se tinha sido mudado pelo mundo, Júlio Magalhães afirmou que “sim, claro”.
João Carlos Correia, professor da Universidade da Beira Interior, concluiu a sessão, comentando as declarações dos jornalistas presentes.
O moderador foi Rui Melo, da Universidade Fernando Pessoa.
A jornada, que começou de manhã, contou com vários oradores, de entre académicos e profissionais e estrangeiros, para além de sessões paralelas para comunicações de tema livre. A participação dos alunos foi elevada.
*Com Eliana Silva.
Fotografia de Joana Duarte
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