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Convenção europeia vem “afinar situação” de pedófilos  Enviar por email Imprimir

Daniela Lopes

Pedófilos vão deixar de poder trabalhar perto de crianças

As pessoas condenadas por crimes sexuais contra crianças vão deixar de poder exercer actividades profissionais que impliquem o contacto com menores. Esta é uma medida que o Ministro da Justiça, Alberto Costa, pretende levar ao Parlamento à margem da assinatura da Convenção do Conselho da Europa contra a Exploração e Abuso Sexual de Crianças, que decorreu quinta-feira passada em Lanzarote, Espanha.

A convenção, que contou com a assinatura de 24 países, incluindo Portugal, «serve para proteger melhor as crianças, criminalizando práticas que em certos Estados não estavam contempladas na lei penal [práticas como a pornografia infantil, o recurso a essa pornografia infantil e a exploração sexual no ciberespaço]. O objectivo é o de actualizar o direito criminal dos vários países intervenientes, de modo a tornar mais eficiente a protecção das crianças que são alvo de agressões», explicou em entrevista ao DN Alberto Costa.

Assim, quando esta convenção for aprovada pela Assembleia da República e promulgada pelo Presidente da República, todos aqueles que cumpriram pena por abuso sexual de menores deixarão de poder exercer determinadas actividades profissionais, como a de professor, a de educador de infância, pediatra, assistente social, motorista de autocarros, a título de exemplo.

Segundo declarou o detentor da pasta da Justiça ao JN, “A necessidade de proteger as crianças contra ameaças pesa mais na balança do que a liberdade e o direito de exercício de profissões por parte de pessoas condenadas”.

«O trabalho de casa está feito na área penal»

Ao contrário dos países assinantes da convenção que não pertencem à união Europeia, que não têm a sua ordem jurídico-penal actualizada nesta matéria, Portugal tem a tarefa facilitada, uma vez que o novo Código Penal já incorpora a maior parte das medidas previstas na convenção.

«Quanto a nós, o trabalho de casa está feito com a entrada em vigor do novo Código Penal, que contemplou todas estas novas necessidades de protecção das crianças», afirmou em entrevista ao DN Alberto Costa.

No entanto, será necessário “afinar a situação dos condenados por crimes sexuais contra crianças”: «Temos de rever e de nos ocupar com o problema dos já condenados por crimes sexuais perpetrados contra crianças. Prevenir formas de reincidência específica», adiantou o ministro da Justiça.

Alberto Costa salientou ainda o facto de na Europa estarem em curso vários desenvolvimentos legislativos, entre os quais a criação de um portal europeu de Justiça com a “inclusão de uma lista de crianças desaparecidas, conhecido como e-Justice“, bem como um sistema de alerta de rapto com a ajuda da comunicação social.

Pedofilia: um crime em crescendo

Segundo um levantamento estatístico da PJ, os crimes sexuais contra crianças triplicaram em Portugal nos últimos cinco anos, tendo sido registados 1300 casos de abusos em 2006, e detidas cerca de 134 pessoas suspeitas de abusos sexuais a menores nos últimos nove meses deste ano.

Os dados avançados pela PJ dão conta, ainda, do facto de 90% dos abusadores serem do género masculino e de serem as raparigas as principais vitimas deste tipo de crime (70% dos casos).

Lisboa e Porto continuam a ser as áreas de maior incidência, sendo que a maioria dos crimes é cometida na área de residência das vítimas (40%) e por familiares (20%).

Com: DN; Público; JN

Imagem: www.brasilcontraapedofilia.wordpress.com


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