Fome num “mundo de abundância”
Maria Marujo

No Dia Mundial da Alimentação, o Secretário-Geral das Nações Unidas Ban Ki-mon chamou a atenção para a realidade da fome crónica e o direito à alimentação, num mundo onde cerca de 854 milhões de pessoas continuam a não o que comer.
No relatório apresentado nesta Terça-feira (17), Ban Ki-moon afirma que o acesso à alimentação é um dos mais básicos direitos do ser humano e que é “inaceitável” que hoje 854 milhões de pessoas sofram de fome crónica num “mundo de abundância”. Mais acrescenta que “o mundo possui os recursos, os conhecimentos e os instrumentos necessários para fazer do direito à alimentação uma realidade para todos”.
Apesar de todas as campanhas que por todo o mundo têm sido feitas, os números ainda não são satisfatórios e, reconhece o alto-comissário, “a erradicação da fome avança lentamente”. Por isso, o secretário-geral da ONU considera urgir que se faça “muito mais para que a integridade e os direitos de cada ser humano estejam no centro dos esforços de todos”. A este propósito, Ban Ki-moon cita no seu relatório os esforços desenvolvidos na Cimeira Mundial da Alimentação, na Declaração do Milénio e das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).
Em Portugal
No Dia Mundial da Alimentação, o Banco Alimentar contra a Fome afirma que “há mais pobres a pedir ajuda”. Em comparação com anos anteriores, o número de pedidos de ajuda tem aumentado e, em 2006, foram 216 mil pessoas as que receberam alimentos.
Estes aumentos têm a ver não só com a situação de crise que Portugal atravessa, mas também pelas novas formas de pobreza, como é o caso de pessoas que apesar de empregadas não têm rendimento capaz de satisfazer as necessidades da família. Desta forma, o Banco Alimentar vê a sua tarefa cada vez mais necessária.
(Lusa/Público)
Artigos relacionados:


