Sida: novos testes permitirão diagnóstico em minutos
Daniela Lopes

A XI reunião sobre a infecção HIV/sida, que decorreu ontem no Estoril, apresentou os novos testes rápidos de detecção da doença, os quais serão processados de forma semelhante a um teste de gravidez, ainda que sem recolha de urina.
Os novos testes rápidos de detecção da infecção HIV/sida, que se encontram em fase de divulgação em Portugal, irão permitir um diagnóstico da doença em minutos, podendo resolver, desta forma, a grave situação de sub-diagnóstico que se verifica em Portugal.
Segundo adiantou à Lusa José Vera, do núcleo de Estudos HIV/sida da Sociedade de Medicina Interna, “Há um sub-diagnóstico da infecção VIH/sida em todos os países europeus e em Portugal diagnostica-se pouco e tardiamente. As pessoas apenas contactam o médico quando apresentam sintomas associados à infecção”.
O diagnóstico tardio, além de aumentar o risco de mortalidade, aumenta a probabilidade de infecção, por contágio, de outras pessoas, umas vez que o portador da doença desconhece a sua situação.
Em Portugal, onde se estimou que existe uma alta proporção de infecção por HIV em doentes com tuberculose, estima-se, igualmente, estarem diagnosticados 20 mil casos de infecção com HIV/sida, sendo que o número de casos por diagnosticar deverá ser o dobro ou mesmo o triplo.
Os novos testes, que estão em Portugal desde o início do ano, poderão ser utilizados em breve pelo Sistema Nacional de Saúde, estando neste momento a ser divulgados com vista à formação necessária dos profissionais de saúde.
Ainda que comecem por ser realizados em unidades hospitalares, estes novos testes rápidos de detecção de HIV/sida permitem o diagnóstico da doença em espaços que não dispõem de laboratórios, como unidades móveis de saúde ou centros de saúde.
“Não é necessária qualquer maquinaria e por isso os testes podem ser feitos numa simples consulta ou pela equipa de enfermagem num centro de saúde. No processo habitual entre a consulta, a requisição dos testes, o envio para o laboratório e o apuramento dos resultados, em qualquer momento a pessoa pode desaparecer e o processo ficar interrompido”, precisou à Lusa José Vera.
O especialista do núcleo de Estudos HIV/sida da Sociedade de Medicina Interna explicou, ainda, que com a nova metodologia “é aumentada a acessibilidade ao diagnóstico e na primeira abordagem a uma pessoa pode propor-se o teste e fazê-lo de imediato”.
Com: Público, Diário Digital
Imagem: Pedro Cunha, Público
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