Força Armada Portuguesa pronta para combater Imigração Ilegal
Margarida Duarte
Tendo em conta o crescimento da imigração ilegal no sul da Europa e as consequentes medidas de segurança adoptadas em Espanha e Itália, a Força Armada Portuguesa começa a antecipar as melhores respostas operacionais a usar quando clandestinos começarem a surgir nas costas portuguesas.
Esses fluxos migratórios “funcionam na base da oportunidade”, conforme assinalou ontem o porta-voz da Armada, o comandante João Barbosa. Sendo assim os militares consideram que a chegada às costas portuguesas de imigrantes oriundos de África é uma inevitabilidade e começam já a preparar-se para esse dia.
Daí que, no passado dia 8 de Novembro, o exercício conjunto “Able Protector 2007″, envolvendo as Forças Armadas e as forças policiais e de segurança com responsabilidades no controlo de fronteiras (SEF, GNR e PSP) tenham testado o grau de cooperação entre os diferentes agentes do Estado envolvidos nessa área.
“Ainda não é uma realidade, mas é uma questão de tempo”, assegurou na altura o comandante da fragata Vasco da Gama, Henrique Gouveia e Melo, que já teve oportunidade de ver, em pleno Estreito de Gibraltar, exemplos do desespero que leva africanos a arriscar ir para a Europa seja quais forem as condições.
O comandante deu o exemplo de cinco jovens que, usando câmaras de ar como coletes salva-vidas, tentavam atravessar o estreito entre Marrocos e Espanha num bote de borracha e à força de braços. “É praticamente impossível terem forças para fazer a travessia daqueles 30 quilómetros a remos, numa jangada pneumática, ou não serem atropelados” pelos navios mercantes, sustentou Gouveia e Melo, em declarações ao jornal Público.
O arquipélago da Madeira é, no território português, o destino mais provável para os imigrantes ilegais oriundos de África. Apesar da distância, dos ventos e das correntes marítimas, a verdade é que o reforço do policiamento pelas autoridades espanholas e italianas (onde se localizam as costas mais próximas do Norte de África) deverá forçar as pirogas a procurar outras áreas, que à partida estarão menos preparadas para lidar com o problema.
A nível de meios, a Marinha parece ser o elo mais fraco devido ao atraso na construção dos navios de patrulha oceânica, pois perante os radares, pirogas e pequenos barcos como a que ontem chegou à costa algarvia são indistintas das embarcações de pesca ou recreio.
A Força Aérea tem aviões de patrulha marítima, em fase de modernização, a GNR vai actualizar o sistema de radares ao longo da costa e o SEF intervém em todas as fases, desde a recolha de informação às análises de risco, pedidos de asilo ou direito a advogados.

Espanha: o país da EU que recebe mais imigrantes ilegais
Espanha foi o país da UE que mais imigrantes ilegais recebeu no ano passado. Esse número revela-se tanto nas notícias diárias da chegada ou salvamento de mais uma patera, como nos estudos realizados pelo Centro de Estudos Sociológicos.
Se há uns anos atrás, as praias andaluzas eram escolhidas como porto de chegada pela sua proximidade. Porém a pressão junto da UE, a fim de conseguir mais fundos, meios e colaboração de outros países para parar a imigração ilegal, levou à criação do Sistema de Vigilância Exterior (SVE), que conta com barcos, aviões, radares, sensores de ruído e calor, imagens de satélite, e que representou um investimento de 232 milhões de euros.
Desde então as ilhas Canárias passaram a ser o destino eleito. O governo espanhol aumentou os meios no arquipélago, de detecção e de salvamento, e abriu novos centros de acolhimento.
Se em 2006 chegaram às Canárias 31 mil imigrantes, até ao início de Dezembro deste ano o número caiu para 11 mil. As rotas para fugir ao controlo afastam-se cada vez mais da costa, tornando-se cada vez mais perigosas e fatais para os imigrantes ilegais.
No verão passado, uma patera chegou a uma ilha nas Caraíbas, cheia da cadáveres. No ano passado Espanha repatriou 97715 imigrantes, sendo que a grande maioria foi apanhada no acto de chegar em pateras ou após ser resgatada em alto mar por equipas de salvamento.
Com:Lusa, Público e Jornal de Notícias
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