Cientistas britânicos acreditam ter descoberto origem da leucemia infantil
Daniela Lopes

Um grupo de cientistas britânicos descobriu a mutação genética que dá origem à leucemia infantil.
A descoberta, que resultou do acompanhamento de duas gémeas, estando uma infectada e outra sã, «aumenta a esperança de poder identificar o risco de recaída nas crianças tratadas com quimioterapia e desenvolver tratamentos eficazes». Quem o afirma é Vaskar Saha, professor de Pediatria e Oncologia da Cancer Research, que olha para este estudo como um novo caminho para a investigação de tratamentos menos agressivos, de menor duração e de reduzidos efeitos secundários.
Segundo apurou a Lusa, citada pelo jornal Sol, Vaskar Saha afirma que esta nova descoberta procurará combater somente as células cancerígenas.
A investigação, qualificada pela comunidade científica como «um grande passo», foi realizada pela universidade de Oxford, pelo hospital infantil Great Ormond Street, de Londres, e pela associação de investigação médica Cancer Research, e explica que o desenvolvimento da doença na infância requer a mutação de um «reduzido, mas crucial grupo de células».
A primeira mutação concretiza-se durante o primeiro ciclo de gestação, transformando algumas células da medula óssea em «pré-leucémicas». Mas para que uma criança desenvolva cancro no sangue é necessária uma segunda mutação, a qual irá ocorrer durante os primeiros meses de vida, sendo causada, provavelmente, por uma infecção comum. Uma constipação bastaria para alterar o estado das células pré-leucémicas para células nocivas.
ESTUDO DE GÉMEAS INGLESAS PROMOVE DESCOBERTA
As gémeas Olívia e Isabella, de quatro anos, tinham ambas células pré-leucémicas, mas apenas uma das meninas desenvolveu a doença. Ainda durante o período de gestação, as células de uma das duas irmãs sofreram uma mutação, transformando-se em células pré-leucémicas e que foram transmitidas, pelo sangue, à outra gémea.
Uma infecção vulgar fez com que as células de Olívia sofressem uma segunda mutação genética, desenvolvendo, assim, a leucemia. Já a irmã, Isabella, ainda que tenha dez por cento de hipóteses de vir a sofrer este tipo de cancro - uma vez que as suas células podem eventualmente ser transformadas -, o risco diminuirá até desaparecer na adolescência.
Foi o acompanhamento do caso destas gémeas residentes em Kent, no sul de Inglaterra, que permitiu aos investigadores britânicos chegar a tais conclusões.
«A identificação das células que provocam a leucemia tem sido um dos mistérios mais perseguidos pelos investigadores do cancro e este estudo é um passo que nos aproxima da sua resolução», disse à Lusa, citada pelo Sol, Bruce Morland, pediatra do Hospital Infantil de Birmingham (centro de Inglaterra).
Já o responsável da investigação e membro da Unidade de Investigação Hematológica Molecular da Universidade de Oxford, o professor Tariq Enver, afirmou que agora que estas células são conhecidas, é mais fácil «encontrar o seu calcanhar de Aquiles e combatê-las».
Com: Sol; SIC-Online
Imagem: The Guardian
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