Gardasil ainda é “uma das melhores medidas para prevenir o vírus”
Daniela Lopes

O investigador do Instituto Português de Oncologia do Porto, Rui Medeiros, afirmou no simpósio que coordenou - “VPH, vacinas e cancro do colo do útero: rastreio e a prevenção na era da vacina” - que as vacinas contra este tipo de cancro “são uma das melhores medidas para prevenir o vírus, até agora perfeitamente seguras e do melhor que temos para oferecer às mulheres, com elevadíssimo sucesso na prevenção”.
Num momento em que se fala do alerta dado pelo Infarmed relativo às duas mortes súbitas de duas mulheres na Áustria e na Alemanha, o também dirigente da Sociedade Portuguesa de Papilomavírus (SPPV) acrescentou ao DN que “já foram administrados milhões de doses com efeitos verdadeiramente fantásticos” e que “não é possível estabelecer nenhuma relação causa/efeito entre a toma do medicamento e estes óbitos”, uma opinião partilhada também pela subdirectora-geral da Direcção-Geral de Saúde (DGS), Graça Freitas.
Actualmente o Gardasil, vacina que previne o cancro no colo do útero, só é eficaz contra quatro tipos de vírus, quando existem mais de cem. No entanto, Rui Medeiros defende a continuação da investigação do vírus VPH e das novas vacinas contra o cancro do colo do útero: “Estas notícias demonstram que continua a ser necessário investigar a acção da vacina e também o vírus”.
Assim, Rui Medeiros afirmou à Lusa: “Até hoje, não há razão para deixar de vacinar. Os últimos dados científicos não sugerem uma paragem”.
O Infarmed corrobora nesse ponto: “Não foi estabelecida uma relação causal entre a morte das mulheres e a administração da Gardasil (vacina quadrivalente contra o cancro do colo do útero, aprovada na União Europeia)”, referia ontem o comunicado da autoridade que regula o mercado dos medicamentos em Portugal.
Insistindo na segurança do medicamento, o Infarmed assegura que os casos serão investigados e que a EMEA vai continuar a monitorizar a Gardasil.
Já o Comité Científico de Medicamentos de Uso Humano da EMEA manifestara que “o benefício da Gardasil continua ser superior ao risco e que não é necessário alterar a informação sobre o medicamento” contida no folheto que o acompanha.
Rui Medeiros afirmou ainda ao Público que, “com vontade”, é possível realizar um rastreio nacional ao cancro do colo do útero num período de seis meses a um ano: “É possível rastrear todas as mulheres em Portugal, porque existem os meios e há tecnologia. Haja vontade”, sustentou o responsável.
O investigador, que estuda o VPH há 15 anos, salientou que este rastreio “tem que ser feito de uma forma organizada”, pois “só assim será possível conhecer os perfis de cada região, uma vez que hoje os próprios VPH mudam com as pessoas”, defendeu.
Em Portugal, cerca de 19 mil mulheres tomaram no último ano a vacina, tendo gasto mais de nove milhões de euros na compra do medicamento, segundo fonte laboratorial.
Com: Público; DN
Imagem: foto Joana Bougard/Público (arquivo)
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