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“Voo 93″  Enviar por email Imprimir

Isabel Condeça

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11 de Setembro de 2001 é uma data que ficou gravada na memória de todos os que presenciaram os acontecimentos desse dia. Ainda o dia estava a começar quando quatro aviões que sobrevoavam em solo americano foram desviados e usados como armas do enorme ataque terrorista que matou mais de três mil pessoas.

            Entre os aviões que foram sequestrados, encontrava-se o voo United 93. Cinco anos depois da tragédia, Paul Greengrass dirige o filme que relata aquilo que aconteceu naquela manhã, desde o momento da descolagem até ao final daquela que foi a última viagem do voo 93, bem como de todos os seus passageiros.

            Um dos primeiros aspectos interessantes que estão presentes no filme reside nos actores. Logo nas primeiras entrevistas que deu, Paul Greengrass disse que o facto de terem sido escolhidos actores desconhecidos do grande público para desempenhar os diferentes papéis intervenientes na história não foi ao acaso. Visto que este é um filme que procurou fazer um retrato fiel daquilo que aconteceu nessa manhã, o realizador achou que a melhor opção era não apresentar as personagens através de rostos já conhecidos e associados a outras películas.

            “Voo 93” mostra de que forma uma manhã que, aparentemente, se preparava para decorrer com normalidade, se torna numa das manhãs mais dramáticas que o povo americano presenciou. Durante os cinco anos que já passaram da tragédia, foram recolhidas várias informações, testemunhos de familiares e de pessoas que nesse dia se encontravam a trabalhar na torre de controlo e nos diferentes aeroportos americanos. Então, tudo foi construído de forma a ilustrar como tudo se passou desde que os profissionais se aperceberam de que algo estaria errado, até ao momento em que tudo acabou…Os testemunhos recolhidos perto dos familiares das vítimas ajudaram a ter uma ideia daquilo que se passou no interior do avião, dos telefonemas que foram feitos, do que sentiram alguns dos passageiros ao se aperceberem de que algo de muito errado estava a acontecer, e são definitivamente esses os momentos de maior intensidade durante o filme. Saber que tudo aquilo aconteceu provoca na maioria dos espectadores uma sensação de ansiedade e enorme angústia.

            No final do filme, quando o ecrã escurece, parece que custa mais levantar da cadeira, existem lágrimas no canto do olho de algumas pessoas e, se me permitem um comentário na primeira pessoa, foi a primeira vez em que vi toda a gente a sair da sala em total silêncio e reflexão.

            Este é então um filme que não deixa esquecer que a manhã de 11 de Setembro existiu e que deixou imensas marcas na vida de muitos dos que a viveram de perto, especialmente daqueles que assim perderam alguém.

 


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