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Invasão – The Invasion  Enviar por email Imprimir

Filipa Galrão

Quando uma nave espacial explode ao entrar na atmosfera no seu regresso a Terra, traz consigo uma substância desconhecida ultra resistente ao frio gélido do espaço e ao calor de milhares de graus centígrados de uma explosão como a sucedida. Percebe-se, então, que a humanidade está perante uma qualquer força extraterrestre.

Título original: The Invasion

Realização: Oliver Hirschbiegel

Elenco: Nicole Kidman; Daniel Craig; Jeremy Northam; Jackson Bond; Jeffrey Wright; Veronica Cartwright; Josef Sommer; Celia Weston; Roger Rees; Eric Benjamin; Susan Floyd; Stephanie Berry; Alexis Raben

Argumento: David Kajganich; Jack Finney

Género: Ficção Cientifica

Duração: 99 min.

Carol Bennel (Nicole Kidman), psiquiatra e o médico Ben Drisdol (Daniel Craig) vão, pois, perceber que a “flu” que todos parecem ter apanhado desde o despenhamento da nave, não passa de uma epidemia extraterrestre que se desenvolve enquanto as pessoas dormem e transforma, quase na totalidade, toda a sua carga genética, transformando os humanos infectados em seres apáticos e insensíveis.

A solução parece estar no filho de Bennel, que se demonstra imune ao vírus. A mãe, já infectada, luta contra o próprio sono para não se transformar e a tempo conseguir salvar-lhe a vida, salvando também a humanidade desta invasão.

Invasão é a quarta adaptação feita para cinema do romance de ficção científica de Jack Finney ,”The Body Snatchers” (1955). Alvo de uma produção problemática, onde os irmãos Wachowsky foram “convidados” a cortar algumas das cenas de acção dirigidas por Oliver Hirschbiegel, para tornar o filme um pouco mais emocionante, Invasão tem elenco de luxo mas não convence.

O encadeamento lógico dos acontecimentos não é o suficiente para que o thriller ganhe força. Mas a ironia faz-nos pensar. Uma psiquiatra que administra comprimidos como salvação última do equilíbrio emocional de uma sociedade em declínio vê-se confrontada com algo que vem “de fora” e estranhamente repõe esse equilíbrio. Faz com que os seres humanos trabalhem para o bem comum, vivam como um ser único e persigam aqueles que, ao demonstrar emoção, se revelam fracos e, por isso, necessitam de ser recrutados para essa comunidade una. Até George Bush e Hugo Chávez, em jeito de alegoria política, aparecem no noticiário a assinar um tratado de paz, ao mesmo tempo que cessam os conflitos no Iraque.

Esta força desconhecida traz ao homem aquilo com que ele sempre sonhou mas demonstra, ao mesmo tempo, que o facto de ser humano faz com que o que sonha seja impossível de ser realizado.

Tudo acaba bem e repentinamente, quase como num “viveram felizes para sempre”. Descobre-se que quem sofreu de encefalite grave é imune ao vírus e uma vacina é desenvolvida pelos maiores cientistas do mundo que, entretanto, se encontravam todos reunidos num laboratório. E, para terminar de uma maneira ainda mais feliz, todos aqueles que estiveram infectados apagam instantaneamente da sua memória aquilo que viveram enquanto seres não - humanos. Um final demasiado forçado? Talvez, mas um filme interessante que nos faz pensar nas limitações da nossa condição humana.


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