Viciados em notícias

noticias Dependentes de notícias, gulosos, famintos, sedentos de informação. Pouco importa o conteúdo, bom mesmo é estar informado.  Estamos naufragando na mera quantidade dos dados, sem tempo para desfazer a mala do passado, virando especialistas de bobagens. E em fim, nada muda, nunca.

Parece que somos dependentes das informações que nos causam pânico. Queremos conhecer a probabilidade do intangível, das chances de sermos sorteados com uma doença ruim. Da vazão de água por segundo de um grande rio ou do aumento do nível do mar em razão do aquecimento das geleiras.  Notícias diferentes enchem e nos fazem acionar o controle da TV ou jogar o jornal no lixo.

Somos seres influenciáveis, vulneráveis às tentações das informações. Nós somos o que aprendemos, vemos, lemos e ouvimos. Portanto, todo cuidado é pouco ao fazê-lo. A seleção da informação é indispensável. Talvez seja por isso que muita gente não consegue levantar vôo. Todos os compartimentos estão sobrecarregados de informação, nem sequer sobrou algum lugar para selecionar e processar.

Tudo foi feito para capturá-la, nada, quase nada, foi feito com relação à sua importância ou utilização. O processamento da informação consiste em sua simplificação. Assim, informação consistente é aquela que não necessitar de tradutor, aquela que seja transparente, sem segredo ou que não seja necessário de “isto é” e “quer dizer”. O preciosismo do tempo impõe esta nova ordem. Tempo da pressa, tempo em que os instrumentos necessários possam ser facilmente identificados.

Chega de se passar horas a fio tentando saber o que realmente a informação quer transmitir. Serões regados a café grosso e cigarro forte, buscando decifrar o interminável relatório. Basta de conversas longas a portas fechadas nas torres de vidro, daquelas onde tudo fica acertado e nada resolvido. Chega de palavreados incomodativos e modismos literários para complicar a constatação e expressão do óbvio, enquanto morremos asfixiados de futilidades. Basta de textos pernósticos, presunçosos, elásticos e cansativos, que não espelham as oportunas necessidades, mas que parecem ter o propósito de confundir.

O futuro é feito da escolha certa da informação. Este é o grande segredo que foi descortinado.  Somente por meio da informação precisa e oportuna conseguiremos formatar o inédito, agir com rapidez e encurtar distâncias. Nem toda informação deve ser levada a sério e muito menos merecer que você gaste o seu tempo com ela. Assim, antes de procurar a informação, transforme-se em um selecionador, caçador de trilhas, perito em instrumentos e ferramentas necessárias para transformar informação em resultados.

 
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